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05/10/2015

Déficit comercial de autopeças recua mais de 30% em 2015

Por Alzira Rodrigues

- 05/10/2015

O déficit comercial do setor de autopeças caiu 32,4% este ano em relação a 2014. Balanço do Sindipeças divulgado na quinta-feira, 3, indica déficit de US$ 3 bilhões 880 milhões nos primeiros sete meses deste ano ante os US$ 5 bilhões 730 milhões do mesmo período do ano passado. De acordo com o presidente da entidade, Paulo Butori, esse recuo é explicado, em parte, pelo aumento nas compras locais pelas montadoras instaladas no País:

“O processo de nacionalização ocorre muito mais pela questão cambial do que pelas exigências do Inovar-Auto. Se o dólar se mantiver no patamar atual, de R$ 3,80, acredito que caminharemos para uma situação de equilíbrio das exportações e importações ao longo do ano que vem”.

As importações de janeiro a julho deste ano atingiram US$ 8 bilhões 410 milhões, total 20,5% inferior ao registrado nos primeiros sete meses de 2014, quando vieram de fora, a partir de compras em 149 países, US$ 10 bilhões 581 milhões. Butori reconhece que o resultado também reflete a queda na produção de veículos no Brasil, mas destaca que a busca por peças locais tem peso na redução das compras externas.

As exportações também caíram no período, mas em índice menor. Foram exportados até julho deste ano, para 177 países, US$ 4,54 bilhões, 6,5% a menos do que no mesmo intervalo do ano passado, US$ 4 bilhões 848 milhões.

Na avaliação de Butori as exportações tendem a crescer mais a partir de agora. Em dois meses deste ano, em março e julho, a receita já foi maior do que nos mesmos meses do ano passado. “Com o dólar a R$ 3,80 estamos bem competitivos. E acredito que ele chegue a R$ 4. Com a indústria confiando que essa paridade cambial veio para ficar a tendência é intensificar-se, ainda mais, a busca de novos negócios no Exterior.”

O Sindipeças acaba de concluir estudo sobre as projeções para este ano e o próximo. O faturamento em 2015 deve atingir US$ 19,5 bilhões, em queda de 40% em relação aos US$ 32,6 bilhões de 2014. O quadro de funcionários no setor será reduzido em 29,7 mil postos, baixando de 194,7 mil trabalhadores para 165 mil. As exportações caem 6,5%, para US$ 7,8 bilhões, enquanto as importações recuam 25%, ficando em quase US$ 12,9 bilhões.

O faturamento em 2016 deve continuar em queda, atingindo US$ 18,2 bilhões, 6,7% a menos do que este ano. Já as exportações crescem 5%, para US$ 8,2 bilhões, e as importações caem 10,%, ficando em US$ 11,6 bilhões. Apesar de oficialmente a entidade ainda prever pequeno déficit comercial no ano que vem, Butori não descarta equilíbrio ou até mesmo ligeiro superávit:

“Tudo dependerá de como o dólar se comportará. O que vemos agora é um movimento para ampliar os negócios lá fora, e as empresas de autopeças que conseguirem ampliar exportações e as vendas ao mercado de reposição terão um 2016 melhor do que 2015”.


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